Linfoma alimentar felino

O que é linfoma?

O linfoma (linfadenoma/linfossarcoma) é o nome dado à patologia (benigna ou maligna) decorrente da proliferação “anômala” do tecido linfoide.

Referido tecido é encontrado em diversas partes do corpo, nos denominados linfonodos, e tem como função a produção e/ou maturação das células do sistema imunológico (linfócitos), que, por sua vez, protegem o organismo de patógenos ou antígenos invasores (parasitas, vírus, bactérias, etc.).

Como regra, o sistema imunológico, enquanto mecanismo de defesa/proteção do organismo, tem a habilidade de distinguir os elementos próprios e os não próprios do organismo, para fins de atuação dos linfócitos.

Ocorre que, em certos casos, o tecido linfoide inicia a proliferação de linfócitos com a habilidade de distinção comprometida e, tais células, dado à anomalia, podem iniciar “ataques imunológicos” a tecidos do organismo, gerando massas anormais de tecidos em diferentes partes do corpo, denominadas neoplasia/linfomas. Os linfomas podem ser benignos ou malignos.


O linfoma alimentar felino

Especificamente nos felinos, o linfoma é a neoplasia mais comum e decorre da proliferação clonal dos linfócitos sendo, preponderantemente, de forma maligna. As neoplasias são classificadas conforme os contornos anatômicos de sua manifestação, a saber: mediastinal, multicêntrico, cutâneo, de tecidos extranodais (sistema nervoso, renal e nasal) e alimentar.

O linfoma alimentar, objeto do presente texto, é a neoplasia mais diagnosticada nos felinos, representando 90% das neoplasias identificadas na espécie. Referida neoplasia não tem predileção de raça, sexo ou idade do animal, mas, em geral, a maioria dos gatos afetados são idosos, machos e com alguns fatores de risco (inflamações e infecções crônicas, exposição ambiental à fumaça de tabaco, etc.).

No passado, havia uma correlação direta entre doenças imunossupressoras (como a leucemia felina – FeLV) e o linfoma alimentar, mas, recentemente, estudos clínicos tem apontado que somente 25% (vinte e cinco por cento) dos gatos com linfoma detém FeLV positivo nos Estados Unidos. No Brasil não há estudos específicos sobre o tema.

O linfoma alimentar se desenvolve em regiões do trato gastrointestinal, principalmente linfonodos regionais, intestino e estômago, e, em alguns casos, no fígado e baço, sendo classificado de forma histológica e imunofenotípica, da seguinte forma:

a) Linfoma alimentar de baixo grau – LABG: Linfocítico, bem diferenciado e de pequenas células;

b) Linfoma alimentar de grau intermediário – LAGI: Celularidade mista;

c) Linfoma alimentar de alto grau – LAAG: Linfoblástico, pouco diferenciado e de grandes células;

d) Linfoma alimentar de grandes células granulares – LGCG: Qualquer grau histológico, grandes células granulares.

O linfoma linfoblástico, atualmente, é tido como a forma mais agressiva da doença, seguindo, abaixo, uma tabela comparativa entre as categorias de linfoma alimentar felino (retirada de SILVA, Jennifer Godoy Kepler da, “Diagnóstico e tratamento do linfoma alimentar felino – revisão de literatura”, 2021):


Diagnóstico

As principais evidências clínicas identificadas nos felinos acometidos pelo linfoma alimentar são a anorexia, a perda de peso, o vômito (êmese), o desconforto abdominal e a diarreia.

Diante da existência de evidências clínicas, recomenda-se, em uma análise preliminar, a realização de exames laboratoriais (hemograma, bioquímico, testes sorológicos para a imunodeficiência felina e a leucemia felina) e exames de imagens (radiografia e ultrassonografia abdominal).

Conforme indica Azevedo, I. N. D., Ferreira, C. D. B. ., Vasconcelos, J. S. L. D. ., Costa, M. B. M. V., & Nunes, Y. F. (2021)., “as alterações laboratoriais incluem: anemia normocítica normocrômica não regenerativa, leucocitose com aumento de neutrófilos bastonetes, hipercalcemia, hipoalbuminemia e hipoproteinemia e são decorrentes do comprometimento da medula óssea pela neoplasia ou pela destruição celular ou pelo sequestro esplênico”.

Em evolução/conclusão do diagnóstico, também se utilizam os exames de citologia aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, endoscopia, laparoscopia, histopatologia, imuno-histoquímica, citometria, testes de clonalidade (reação em cadeia polimerase – PCR) e diagnóstico diferencial.

Finalizado o diagnóstico clínico/laboratorial, deve ser realizado o estadiamento da doença, delimitando a sua extensão e a presença, ou não, de metástases, conforme estágios abaixo indicados (retirado de Azevedo, I. N. D., Ferreira, C. D. B. ., Vasconcelos, J. S. L. D. ., Costa, M. B. M. V., & Nunes, Y. F. (2021):


Tratamento e Prognóstico

Diagnosticado o linfoma alimentar e a sua extensão, o tratamento inicial indicado é a quimioterapia, que deve ser iniciada tão logo o paciente tenha condições físicas. A quimioterapia deve ser realizada com variações de combinações farmacológicas, taxas de resposta e duração do tempo de remissão, de acordo com o estágio do linfoma (ULIANA, Luciana Moreira do Amaral, 2021).

Além da quimioterapia, a depender do quadro clínico e diagnóstico apresentado, é possível a utilização de tratamentos complementares de suporte, radioterapia ou, ainda, conforme necessidade, cirurgia local para retirada do linfoma.

O prognóstico de resultado favorável do tratamento depende da resposta inicial à quimioterapia (ou outro meio de tratamento utilizado) e da ocorrência ou não de remissão. Estudos indicam que o quanto antes a doença é identificada, maior a probabilidade de um prognóstico positivo no tratamento. Animais responsivos aos tratamentos iniciais também apresentam maior tempo de sobrevivência.


REFERÊNCIAS

https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/233657/001135139.pdf?sequence=1&isAllowed=y


Azevedo, I. N. D., Ferreira, C. D. B. ., Vasconcelos, J. S. L. D. ., Costa, M. B. M. V., & Nunes, Y. F. (2021). ALTERAÇÕES CLÍNICAS E LABORATORIAIS EM GATOS ACOMETIDOS POR LINFOMA ALIMENTAR. Revista Multidisciplinar Em Saúde, 2(3), 31. https://doi.org/10.51161/rems/1845


https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/250024/001151511.pdf?sequence=1&isAllowed=y


http://www.oncoguia.org.br/conteudo/o-tecido-linfatico/5895/788/#:~:text=O%20tecido%20linfoide%20%C3%A9%20encontrado,tor%C3%A1cica%2C%20abdome%20e%20pelve)


https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/sistema-linfoide/


https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/neoplasia#:~:text=A%20neoplasia%20%C3%A9%20uma%20massa,de%20crescimento%20e%20riscos%20diferentes

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